quinta-feira, 6 de junho de 2013

Já engoli alguns sapos, mas sopa de letrinhas nunca!


Dias desses, uma amiga que tem uma filha de quatro anos me indagou desesperada sobre o fato de sua filha ainda não estar alfabetizada, respondi a ela ironicamente:
Como assim, quatro anos e ainda não está alfabetizada? Graças a Deus!
Que mania esse povo tem de achar que criança deve saber ler e escrever tão cedo assim, pior de tudo é a professora que aconselhou a mãe a dar sopa de letras à criança, aqueles caça-palavras  para que a criança i se familiarize com as letras. A mãe, não entendendo a gíria pedagógica arrumou a tal da sopa, mas no mercado!
Quando eu penso em meu processo de aprendizagem de leitura e escrita, penso no quanto estamos perdendo nossas referências familiares, embora os pais se virem como podem, uma história ali, um livrinho todo colorido aqui, mas a falta de participação nesse processo, a entrada mais cedo dos filhos à escola e principalmente o apressamento da alfabetização sem levar em conta as fases de maturação pelo qual todos passamos.
Aprendi a ler e escrever assim, por acaso, meu pai é artista plástico, pinta, desenha, entalha, escreve e como por mimese aprendi algumas coisas, outras não, infelizmente!
Porém, acredito que tudo tenha sido mágico e absolutamente normal, porque cada palavra, cada livro lido ficam em mim ainda hoje como uma parte boa de minha vida onde tudo que lia era unicamente pela vontade, diferentemente de hoje que nem sempre temos essa opção.  
Por fim, fecho esse pequeno relato com uma frase de Guimarães Rosa em seu livro “Grandes sertões: Veredas” que descreve um trecho que tomou forma muito significativa em meus dias de hoje, principalmente em relação à leitura: “A lembrança da vida da gente se guarda em diversos trechos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros não se misturam (...) Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data”.

Danielle Nogueira

Nenhum comentário:

Postar um comentário